Insights | Inteligência Artificial
Onde a Inteligência Encontra a Engenharia

Nos últimos meses, o termo AI Agent deixou de ser um experimento acadêmico e passou a representar uma nova camada da engenharia moderna. O que antes era apenas um modelo de linguagem isolado evoluiu para sistemas inteligentes com memória, contexto e capacidade de agir.
Construir um agente de IA não é apenas integrar uma API do ChatGPT. É projetar um ecossistema cognitivo que combina raciocínio, execução e aprendizado contínuo. Exige arquitetura, não apenas prompts.
Na prática, um agente é formado por múltiplos blocos que interagem para criar comportamento inteligente. Desde a definição do seu papel até a orquestração dos fluxos e ferramentas, cada camada é parte de um sistema vivo e dinâmico. Quando bem desenhado, o agente deixa de ser um assistente reativo e passa a operar como uma infraestrutura cognitiva que aprende, decide e age de forma autônoma.
A seguir, o framework das 7 etapas essenciais para construir um agente de IA completo, unindo fundamentos de machine learning, engenharia de software e design de produto.
1. System Prompt
O ponto de partida é a definição do comportamento do agente. É onde se descreve o propósito, o papel, os limites e o estilo de raciocínio. Esse bloco traduz intenções humanas em objetivos operacionais para o modelo.
Exemplo prático: em um agente financeiro, o system prompt define se ele é um analista conservador, focado em precisão, ou um explorador de oportunidades.
2. LLM
O modelo de linguagem é o núcleo cognitivo. É aqui que se escolhe o motor (OpenAI, Anthropic, Claude, Gemini, Mistral etc.) e se configuram parâmetros como temperatura, contexto máximo e modo de raciocínio.
Em sistemas produtivos, o LLM deve ser tratado como um serviço configurável, não como um componente fixo.
3. Tools
As ferramentas são os braços operacionais do agente. Ele não deve apenas conversar, mas agir: chamar APIs, acessar bancos de dados, executar scripts ou operar em um MCP server.
A diferença entre um chatbot e um agente real está aqui, na capacidade de execução autônoma.
4. Memory
A memória transforma uma LLM em um sistema contínuo.
Divide-se em:
- Episódica: histórico de conversas
- Working Memory: contexto ativo
- Vector Database: embeddings e recuperação semântica
- SQL/DB Memory: dados estruturados
- File Store: armazenamento bruto
A combinação dessas camadas cria uma arquitetura híbrida que sustenta aprendizado incremental.
5. Orchestration
O cérebro precisa de sinapses. É aqui que entram triggers, rotas, filas de mensagens e comunicação agente-para-agente (A2A).
A orquestração diferencia um protótipo acadêmico de um produto real, definindo dependências, paralelismo e timing de execução.
6. UI
Toda inteligência precisa de uma interface humana clara, não apenas para uso, mas para depuração e confiança.
Dashboards, consoles e fluxos visuais ajudam a entender o raciocínio e ajustar comportamentos antes que o agente escale erros.
7. AI Evals
Sem métricas, não há aprendizado. Avaliar o desempenho dos agentes é um processo contínuo de análise, medição e melhoria.
Métricas como latência cognitiva, taxa de acerto, coerência de contexto e efeito de instrução são fundamentais para amadurecimento operacional.
Frameworks Agentic e seus trade-offs
O mapa de frameworks revela o equilíbrio entre flexibilidade técnica e acessibilidade operacional.
- LangGraph e LangChain oferecem controle total sobre fluxos e agentes compostos
- n8n e Make são ótimos para quem quer construir sem código, com orquestração visual
- Autogen e CrewAI combinam pipelines estruturados com autonomia real entre agentes
- OpenAI Agents API inaugura o padrão “MCP-first”, com integração direta entre agentes e servidores modulares
A escolha depende do nível de controle desejado e da maturidade técnica da stack.
O próximo passo
O verdadeiro diferencial não está em apenas usar IA, mas em projetar agentes como sistemas.
Quando um agente entende contexto, acessa ferramentas, lembra interações e se autoavalia, ele deixa de ser um assistente e se torna uma infraestrutura cognitiva escalável.
É nesse ponto que engenharia encontra inteligência e a IA deixa de ser hype para se tornar vantagem competitiva real.